Artigos e Ideias

A Revolta no Chile e o Futuro do Brasil

Cerca de um ano atrás o Chile estava literalmente em chamas, submetido a baderna e violência por militantes esquerdistas inconformados com a ordem econômica liberal vigente. Como apontou o economista Pedro Menezes, ainda em 2019, “os dados não permitem afirmar, como muitos têm feito, que o ‘neoliberalismo’ deu errado no Chile. Nenhum país latino-americano deu mais certo nas últimas décadas”. Ainda segundo Menezes, “Desde 1986, o crescimento médio [do PIB chileno] foi de 3,6%. É um ritmo de crescimento muito mais próximo da Índia (4,7%) do que do Brasil (1,1%) ou Argentina (1%). Como resultado, o PIB per capita chileno mais do que triplicou no período, enquanto o crescimento acumulado no Brasil e Argentina ficou ao redor de 40%”.

Manifestante alimenta fogueira em protesto no Chile, em 2019
Manifestante alimenta fogueira em protesto no Chile, em 2019. Foto: AbarcaVasti (“>CC BY-SA 4.0)

Se o país estava em franca ascensão, crescendo mais rápido que seus vizinhos, o que explicaria o descontentamento? O desenvolvimento econômico que havia elevado o Chile ao topo das nações da América do Sul não beneficiou a todos igualmente, reclamavam os autonomeados porta-vozes do interesse popular. Mas quem são esses senão os arautos da velha ideologia marxista e seus filhotes bastardos, que continuam a seduzir as massas incautas ao caminho da servidão, sob a cantilena pseudo-intelectual de que tudo que não é salário é roubo? E como buscar acomodação com quem prefere a destruição ao progresso, se o “progresso” não for aquele que está decretado em seus manifestos e interpretações recicladas do materialismo histórico? Afinal, para que a preocupação em criar algo, se tudo será destruído pela revolução inevitável?

Hoje o Chile está em vias de abandonar sua constituição liberal e substitui-la por um carta que, supostamente, eliminará mazelas ainda remanescentes da ditadura e levará o país a um período de harmonia e justiça social. Não pretendo aqui julgar a oportunidade de se substituir a constituição em vigor, mas é claro que o projeto de renovação social será facilitado se a nova carta não solapar as bases do desenvolvimento econômico experimentado pelo país nas últimas décadas. 

O mais preocupante para o Brasil, nesse cenário, não é o destino do Chile, que deve ser decidido pelo povo chileno, embora seja nosso interesse que todos os nossos vizinhos prosperem e se desenvolvam. O que nos afeta é o exemplo de que o vandalismo e a violência ideológica podem ser ferramentas eficazes para alcançar objetivos políticos. Outros casos preocupantes se observam na Europa e nas Américas, sendo o mais relevante o dos Estados Unidos, a maior potência econômica e militar do mundo, que segue há meses submetida à violência revolucionária disfarçada de militância contra o racismo e a brutalidade policial. Se dobrarem os Estados Unidos, quem não se dobrará?

Que o Brasil tenha escapado por uma bifurcação histórica e logrado instalar um governo conservador pode ser apenas fortuna provisória, em face da crescente ameaça da esquerda violenta e intolerante, que entende democracia como supressão de dissidência, e que conta com o apoio passivo de duas ou três gerações que foram intelectualmente emasculadas pela “ocupação de espaços” na cultura, na educação e na imprensa. 

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