O argumento correto em favor das privatizações nada tem a ver com o lucro ou prejuízo das empresas estatais. Esse é um argumento fácil, mas errado. A razão para vender estatais é simplesmente porque são estatais. Trata-se de um problema de eficiência geral do uso de recursos econômicos.
Em quase todas as manifestações em favor de privatizações, agora e sempre, o argumento central costuma ser o de que as empresas estatais dão prejuízo para o governo e a sociedade. Há razões para priorizar esse argumento: a ideia é simples, pode ser compreendida por todo mundo, e é muito comum que empresas estatais apresentem prejuízo. A principal razão para privatizar empresas estatais, no entanto, não é essa.
Toda empresa, grande ou pequena, estatal ou privada (ou, de outra perspectiva, todo controlador de empresas, do Zé das Couves ao Jeff Bezos) é responsável por decisões sobre alocação de recursos econômicos, que são, em última instância, recursos da sociedade, mesmo que sob controle integralmente privado. A qualidade dessa alocação de recursos tem influência determinante na eficiência microeconômica (do uso desses recursos) e, em escala nacional, é um dos componentes mais significativos no nível geral de eficiência econômica da sociedade.
Mesmo empresas estatais lucrativas (em boa parte dos casos, beneficiárias de monopólios ou reservas de mercado) alocarão recursos de forma menos eficiente do que se estivessem sob administração privada. Essa é a razão para o prejuízo que frequentemente apresentam, mas não é o prejuízo em si a razão para privatizá-las. Estatais causam empobrecimento relativo da sociedade em sua totalidade.
Esse argumento provavelmente é incompreensível para a maior parte do público. Por isso a ênfase no argumento sobre lucro e prejuízo, que, além de errado, revela-se incoerente com a defesa da venda de estatais que não estão no vermelho.
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