O voto “pelo social” e a hipocrisia de muitos eleitores

Quase todo mundo diz que vota pensando na sociedade e nos mais pobres. O vídeo propõe um teste de uma pergunta só para conferir isso: em tudo o que você defende, quem ganha? Se a resposta é sempre você (o servidor que apoia quem promete reajuste, o estudante que vota em quem promete bolsa, o empresário que vota por subsídio ao seu setor), o voto não é pelo social.

Defender o próprio interesse não é errado. É legítimo, é da democracia, e políticas que fazem a sociedade avançar costumam beneficiar também quem as defende. O problema é chamar isso de altruísmo, e a dificuldade é que muita gente está sinceramente convencida de que pensa nos outros. Distribuir custos e benefícios é parte de qualquer política pública: quem busca de fato o interesse coletivo vai, uma vez ou outra, apoiar algo que não o favorece.

O exemplo é o pai do autor, engenheiro da Light quando a estatal de energia do Rio de Janeiro foi privatizada. Para ele, pessoalmente, a privatização era uma catástrofe: provavelmente seria demitido, como acabou sendo. Mas, da perspectiva da gestão, a empresa tinha gente demais, era ineficiente e desperdiçava dinheiro público, e o correto era privatizar. Ele soube separar o que era bom para si do que era bom para a sociedade.

Pontos principais

  • O teste: em tudo o que você defende, quem ganha?
  • Votar pelo próprio interesse é legítimo; o erro é chamá-lo de altruísmo.
  • Quem busca o interesse coletivo às vezes apoia o que não o favorece.
  • O pai do autor defendeu a privatização da Light sabendo que ela lhe custaria o emprego.

Fontes e leituras


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