Paulo Freire e a luta pela revolução

O vídeo sustenta que a pedagogia de Paulo Freire é um projeto revolucionário com um braço educacional, e não uma teoria da educação com implicações políticas. Toda a obra, dos conceitos às técnicas e às metas, se organiza em torno de um eixo: o antes e o depois da Revolução Comunista. A cada etapa corresponde uma estratégia.

Antes da tomada do poder vem a ação cultural. A educação prepara psicologicamente as massas e, ao mesmo tempo, mina a capacidade de resistência da sociedade, ao enfraquecer a transmissão dos valores e das tradições que a educação tradicional carregava. Para Freire, colaborar com a educação não freiriana era colaborar com uma sociedade que ele julgava opressora e incorrigível. O vídeo mostra o lado prático dessa etapa nas instruções ao professor militante: denunciar a ideologia dominante, ocupar os espaços institucionais, numa estratégia de inspiração gramsciana, e fazer o “mapa ideológico” da instituição, para saber “com quem pode contar e contra quem tem que lutar”.

Tomado o poder, por via violenta ou gradual, a ação cultural se converte em revolução cultural. O objetivo passa a ser defender o novo regime: extirpar a cultura antiga, expelir os mitos que sobreviveram na população e formar o “homem novo” e a “mulher nova”. Por isso, conclui o vídeo, a defesa freiriana de liberdade e democracia só coincide formalmente com o sentido corrente das palavras. Como para Lenin, a democracia burguesa seria uma farsa.

Pontos principais

  • A obra de Freire se organiza entre o antes e o depois da revolução.
  • Ação cultural: preparar as massas e enfraquecer a transmissão da cultura existente.
  • O professor militante recebe instruções práticas, como o “mapa ideológico” da instituição.
  • Revolução cultural: depois do poder, consolidar o regime e formar o “homem novo”.
  • Liberdade e democracia têm, em Freire, um sentido diferente do uso corrente.

Fontes e leituras

  • O artigo que deu origem ao roteiro: Paulo Freire: A Revolução como Centro da História.
  • Ira Shor e Paulo Freire, Medo e Ousadia: o cotidiano do professor (Paz e Terra), p. 29 (a denúncia da ideologia dominante e a ocupação do espaço das escolas) e p. 42 (o “mapa ideológico” da instituição).
  • Paulo Freire, Ação Cultural para a Liberdade (Paz e Terra), p. 69 (ação cultural e revolução cultural como momentos distintos).
  • Paulo Freire, A Importância do Ato de Ler, p. 48 (“O homem novo e a mulher nova não aparecem por acaso”), trecho de um caderno de cultura popular de São Tomé e Príncipe reproduzido por Freire.
  • Playlist Problematizando Paulo Freire, com a série do canal sobre o autor.

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