80% dos jornalistas são de esquerda, e esse nem é o pior problema

O ponto de partida é o editorial “O perigo do jornalismo militante”, publicado pelo Estadão em novembro de 2025 a propósito do escândalo da BBC, que editou um discurso de Donald Trump de modo a fazer parecer que ele incitava os apoiadores à violência. O editorial descreve redações em que a neutralidade é vista como omissão e a objetividade como conformismo, e cita pesquisas segundo as quais 77% dos jornalistas britânicos se identificam como de esquerda (11% de direita) e, no Brasil, 80,7% à esquerda e 4% à direita.

O argumento do vídeo é que a imprensa é só a parte mais visível. Ao longo de décadas, gerações foram ensinadas a acreditar em duas coisas: que a visão progressista é a única moralmente aceitável e que cada posição ocupada deve ser usada para promovê-la. O professor que introduz conteúdo ideológico na aula, o juiz que reinterpreta a lei para chegar ao resultado que considera justo, o funcionário público que faz corpo mole diante da instrução que não aprova: todos saem da própria atribuição para militar.

Isso acontece mais à esquerda, por dois motivos. Um é quantitativo, resultado de décadas de ocupação de espaços. O outro é de perfil: quem acredita que um mundo melhor pode ser planejado racionalmente tende a usar o cargo para construí-lo, enquanto o conservador aposta em instituições construídas devagar, pelo acúmulo de consensos.

Errata: aos 5:01, o vídeo lê “40% à direita”. O número correto é 4%.

Pontos principais

  • A militância na imprensa é sintoma de um fenômeno cultural mais amplo no Ocidente.
  • No Brasil, 80,7% dos jornalistas se declaram de esquerda e 4% de direita, segundo pesquisa citada pelo Estadão.
  • Professor, juiz, jornalista e funcionário público repetem o mesmo padrão: usar a função para promover uma causa.
  • O desvio é mais comum à esquerda, pela quantidade e pela crença de que a sociedade pode ser planejada.

Fontes e leituras


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