A divulgação do Inaf 2024, o Indicador de Alfabetismo Funcional, é o ponto de partida, mas o vídeo deixa os números de lado para tratar do que eles significam. A partir de quase duas décadas no exterior lidando com estrangeiros que falam português, o argumento é que o analfabetismo funcional não é um problema de língua.
Um estrangeiro bem-educado que trabalha numa embaixada pode conhecer menos gramática e menos vocabulário que um brasileiro recém-formado. Mesmo assim, entende o texto que recebe e escreve um texto que se entende. O analfabeto funcional brasileiro muitas vezes faz o contrário: escreve corretamente e não se faz entender, ou lê e não capta o sentido. O que falta não é português, é desenvolvimento intelectual: raciocínio lógico, interpretação, associação de ideias.
Por isso mais aula de gramática não resolve. Depois de certa idade, a defasagem acumulada por anos de ensino ineficiente e de um ambiente familiar e cultural pouco favorável ao aprendizado fica praticamente permanente. A solução passa por cuidar das crianças desde a primeira infância, e o custo do problema atinge o país inteiro, inclusive quem teve boa educação.
Pontos principais
- Analfabetismo funcional é déficit de desenvolvimento intelectual, não de domínio do idioma.
- Estrangeiros com português limitado entendem e se fazem entender melhor que muitos brasileiros diplomados.
- Depois de certa idade, mais estudo de português não corrige a defasagem.
- A solução começa na primeira infância, na escola e no ambiente cultural.
Fontes e leituras
- Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), Instituto Paulo Montenegro e Ação Educativa.
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