Todos se preocupam com a existência de políticos e servidores públicos corruptos. Todos sabem que existe corrupção ativa e passiva. Todos entendem que os problemas éticos não se manifestam apenas nas práticas corruptas como também na omissão diante delas. O que pouca gente compreende é que esses parâmetros são válidos apenas no que concerne a corrupção como conduta individual ou de grupos.
Quando um órgão, uma estatal, um governo inteiro é usado como instrumento de corrupção, todos os seus funcionários se tornam agentes da corrupção, mesmo sem participar conscientemente dela, mesmo sem saber de nada. O servidor mais honesto, o funcionário mais digno podem fazer tudo com retidão, mas quando a máquina inteira é dirigida a objetivos escusos, quando o sistema é sequestrado para interesses ilegítimos, cada um, sem possibilidade de escolha, torna-se apoiador material do projeto corrupto. Até o homem mais honesto passa a trabalhar pela causa corrupta. Esse é o dilema.
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