Artigos e Ideias

Bolsonaro em 22, Moro em 23

Jair Bolsonaro e Sergio Moro. Fotos: Agência Brasil.

Escrevi no Twitter que sigo apoiando o governo, que é melhor ser governado por Jair Bolsonaro que por abutres que querem destruí-lo, mas que Sergio Moro é, sem dúvida, muito melhor candidato. Um seguidor comentou que costuma achar minhas análises interessantes, mas que esse tweet não fazia sentido. Respondi, de forma resumida e um tanto confusa, o que tento explicar melhor aqui.

Sou contra derrubar o governo, contra o impeachment e contra qualquer outra artimanha para remover o presidente Jair Bolsonaro do poder. Isso só poderia servir para que alguma das várias corjas que querem destruí-lo ocupem mais espaço, senão tomarem o próprio governo. Claro que há gente boa e sensata que quer se ver livre do presidente. Isso não é um problema. Qualquer um tem direito de ser contra o presidente. O problema é que quem tem mais sanha de derrubá-lo são justamente alguns dos que seriam mais nocivos ao país, se tomassem seu lugar.

O pior risco já passou — a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão. De todo modo, o problema não seria ter Hamilton Mourão como presidente (ao contrário!), mas ter eleições em 2022 sem um candidato competitivo contra Lula, seja ele Moro ou Bolsonaro. E Moro, me parece, está sempre a uma canetada de ser “inviabilizado”.

Ainda, não vejo como a queda de Bolsonaro ajudaria Moro. Um impeachment não se faz sem um grande acordo de bastidor. Os principais grupos têm de estar de acordo e no acordo. No caso de Dilma, suspeito de que até importantes segmentos do PT apoiaram sua derrubada. E, é claro, muitos querem algo em troca de sua participação em qualquer conspiração.

Na situação presente, muitas das forças que querem destruir Bolsonaro são as mesmas que querem também destruir Moro. Na verdade, o trabalho de destruição do Moro e todos que colaboraram na Lava Jato começou lá atrás e continua até hoje. Vejam a perseguição a Deltan Dallagnol e outros procuradores que participaram da operação. Até Rodrigo Janot está sendo pressionado (especialmente após ter declarado sua intenção de concorrer a cargo eletivo). Por isso, penso que um acordo para derrubar Bolsonaro também envolveria alguma forma de inviabilizar Moro em 2022 (já deve haver muita gente trabalhando nisso, de qualquer maneira).

O governo Bolsonaro, portanto, precisa chegar ao final. Claro que ele pode ser reeleito em 2022. Nessa altura, não dá para prever. Mas me parece que temos melhor horizonte com Moro e Bolsonaro concorrendo em 2022 do que se tivermos um cenário conturbado por uma troca de governo, acabando talvez sem Moro, sem Bolsonaro e sem outro candidato capaz de derrotar o PT.

Este artigo foi publicado originalmente em minha newsletter.

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