Noticiário Comentado

São Poucos os Verdadeiros Bolsonaristas

Fala-se hoje em “bolsonaristas” como se fossem legiões. Na verdade, são bem poucos. São bolsonaristas aqueles que se identificam com a visão de mundo e orientação política de Jair Bolsonaro (o que quer que isso queira dizer…) e continuarão defendendo ideias bolsonaristas mesmo depois que o presidente Bolsonaro se for. Nesse sentido, bolsonarista tem significado análogo ao de getulista, brizolista, peronista. Secundariamente, há os bolsonaristas de ocasião, como boa parte dos políticos que entram e saem de sua entourage, muitos dos quais eram bolsonaristas e agora não o são, ao passo que outros tornaram-se bolsonaristas ao embarcar no governo.

O presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa no Palácio da Alvorada
O presidente Jair Bolsonaro fala à imprensa no Palácio da Alvorada. Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A grande massa de apoiadores de Jair Bolsonaro, no entanto, não se enquadra nessa categoria. Alguns são simplesmente governistas: apoiam o governo por acreditar que as alternativas são piores. São os que votaram em Bolsonaro, em 2018, para não eleger Fernando Haddad (que não escondia seu papel de mero representante de Lula); os que acreditam que o impeachment de Bolsonaro nos deixaria em situação pior; os que votarão de novo em Bolsonaro, se a alternativa lhes parecer pior (novamente o PT?). Em suma, são apoiadores circunstanciais do presidente Bolsonaro. São os que esperam pela terceira via.

O terceiro grupo de apoiadores, talvez em maior número e seguramente mais barulhentos e pitorescos é o dos ditos “bolsominions”. Esses são os que acreditam em qualquer notícia favorável ao governo e a repercutem, enquanto acham que tudo que é negativo é falso, conspiração da imprensa, trabalho de comunistas (não nego que a imprensa muitas vezes conspira e que os comunistas nunca descansam, mas essa é outra conversa). São os que xingam todo mundo nas redes e sobem hashtags no Twitter. Os Bolsominions são apoiadores cegos do presidente, tanto no sentido de sua fidelidade como no de sua obtusidade.

Ocorre que apenas o primeiro grupo, o dos que acreditam ver em Jair Bolsonaro um farol político e ideológico, poderá ter alguma persistência no tempo. E são bem poucos, como disse. O segundo grupo mudará de posição quando surgir uma alternativa que lhes pareça razoável. Esperam pela terceira, quarta ou quinta vias. Já os bolsominions mudarão de ideia assim que a situação política e econômica mudar, assim que novos congressistas e presidente forem eleitos, ou simplesmente com o tempo. Boa parte são ex-petistas, ex-lulistas, ex-dilmistas e serão ex-bolsonaristas (não havia bolsominions antes de 2018). Muitos nem perceberão que estão mudando de lado até que já estejam do outro lado.

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