Noticiário Comentado

Glenn Greenwald Corrobora Críticas à Hipocrisia da Grande Mídia Esquerdista

O jornalista americano Glenn Greenwald surpreendeu seguidores e detratores ao publicar longa declaração em que anunciou sua demissão do site The Intercept, notório por publicar transcrições de conversas roubadas telefones celulares de autoridades públicas, entre outros vazamentos de dados privados. Artigos baseados nessas conversas, publicados por Greenwald e outros jornalistas no Intercept, causaram dano irreparável às investigações de corrupção conduzidas pela força-tarefa Lava Jato. Por divulgar esses vazamentos, Greenwald foi acusado de buscar favorecer o ex-presidente Lula e o PT, sendo visto por muitos no Brasil como um jornalista militante a serviço da esquerda.

O surpreendente na demissão de Glenn Greenwald não é sua saída do veículo que ajudou a fundar, mas as razões que o levaram a abandonar o projeto. O jornalista afirma que foi censurado pelos editores do site quando tentou publicar um artigo com críticas a Joe Biden, candidato à Presidência dos Estados Unidos. O artigo só seria publicado se todas as críticas fossem removidas. Greenwald diz, ainda, que, “Não satisfeitos com apenas impedir a publicação do artigo no site de que sou co-fundador, esses editores do Intercept também exigiram que eu me abstivesse de exercer o direito contratual específico de publicar o artigo em qualquer outra publicação.”

Glenn Greenwald em audiência pública no Senado
Glenn Greenwald em audiência pública no Senado. Marcos Oliveira/Agência Senado

Glenn Greenwald não se limitou a denunciar a censura que sofreu e afirmou que “as patologias, intolerância, e mentalidade repressora que levaram a esse espetáculo bizarro de ser censurado por meu próprio veículo de mídia não são, de modo algum, exclusivas do Intercept. Elas são vírus que contaminaram virtualmente todas as grandes organizações políticas, instituições acadêmicas, e redações de imprensa de centro-esquerda.” 

O jornalista afirma, ainda, que “nenhuma das críticas que eu manifestei sobre o Intercept referem-se exclusivamente a ele. Ao contrário: essas são batalhas furiosas sobre a liberdade de expressão e o direito ao dissenso que estão assolando toda grande instituição cultural, política e jornalística. Essa é a crise que o jornalismo e, de modo mais amplo, os valores do liberalismo [no sentido americano, de esquerdismo político] enfrentam. Nosso discurso está se tornando crescentemente intolerante a opiniões divergentes, e nossa cultura exige cada vez mais submissão às ortodoxias prevalecentes, impostas por monopolistas auto-ungidos da Verdade e Probidade, apoiados por exércitos de turbas policiadoras online.” 

O relato de Glenn Greenwald é um caso raro de desavença dentro das hostes do establishment progressista americano, em que o dissidente preferiu arriscar sua reputação entre seus pares a continuar a compactuar com um sistema de doutrinação e supressão do dissenso que se torna cada dia mais opressor, inclusive contra seus próprios apoiadores, que têm de se submeter às ortodoxias sancionadas por um círculo de pessoas e instituições que se arrogam a autoridade de determinar o que pode ou não ser dito no debate público. A pena para os que não se submetem costuma ser a perseguição política, a destruição de carreiras, o “cancelamento”.

Cabe anotar que o cenário descrito por Greenwald não é desconhecido de quem observa com atenção o avanço da estratégia de “ocupação de espaços” empreendida pela esquerda na mídia, na produção cultural, na educação. O mesmo mecanismo político-midiático que tentou censurá-lo atua incessantemente para impedir que críticas dessa natureza sejam circuladas ou levadas a sério. Artigos e comentários que abordam de forma crítica a dominação política desses espaços são rotulados de fake news, e seus autores ridicularizados como teóricos da conspiração ou terraplanistas.

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